Expresso - 22:24 Segunda-feira, 12 de Jan de 2009
Damien Hall pesa 150 quilos e tem 42 de índice de massa corporal. Além de padecer de obesidade mórbida, transtorno que implica risco de morte, também não pode adoptar. Isto, por decisão das autoridades municipais de Leeds, no norte da Inglaterra, onde reside, que decidiram que se Hall quer ser pai deve, então, perder peso.
Hall, que viu frustado o seu intento de adoptar uma criança, denunciou o caso à BBC. No documento que lhe foi enviado com a decisão, a autarquia diz que o processo de adopção continua activo, convidando-o a apresentar-se para um novo exame médico dentro de algum tempo.
Pressão para perder peso
O casal, ao que parece, não pode ter filhos biológicos. Segundo o documento divulgado pela BBC, o médico que deu o parecer à comissão de adopção expressou a sua preocupação com a saúde do candidato a pai, tendo recomendado que é necessário alterar os seus hábitos de vida. Ou seja, fazer dieta e exercício físico para manter uma eventual perda de peso.
Hall, por sua vez, diz que "é difícil perder peso sob pressão", e lamenta que não tenham tido em conta as qualidades do casal. "Não fumamos, não bebemos e poderíamos oferecer a uma criança um lar feliz e seguro", argumentou.
Charlotte, a mulher, também não se conforma com a decisão, que considera injusta, e alega que o marido trabalha a tempo inteiro e é muito activo, levando o cão à rua duas vezes por dia.
Entretanto, na localidade de Aguascalientes, no México, os polícias que conseguem emagrecer recebem um prémio em dinheiro. A recompensa está a ser oferecida desde o ano passado pelas autoridades locais: 100 pesos, algo como sete euros, por cada quilo perdido.
Cerca de 40% dos 1 600 polícias de Aguascalientes são obesos. Há três anos, houve outra tentativa para que perdessem peso. Os agentes foram aconselhados pelas chefias a vigiarem o peso e a praticarem desporto. Não resultou.
O risco agora é que Aguascalientes passe a ter polícias anoréxicos.
Metade dos portugueses têm excesso de peso
23.05.2009 - 09h49 Lusa
Cerca de cinco milhões de portugueses têm excesso de peso e mais de nove mil pessoas já morreram desde 2004 com problemas relacionados com a obesidade, assegura a Associação de Doentes Obesos e Ex-obesos de Portugal (ADEXO).
O Dia Nacional de Luta Contra a Obesidade assinala-se hoje, mas para a ADEXO o momento não é para comemorações. "Estamos de luto pelas cerca de nove mil pessoas com obesidade que desde 2004 morreram e continuam a morrer nas listas de espera para consulta e nas listas de espera para cirurgia de tratamento da obesidade", disse Carlos Oliveira, presidente da ADEXO.
Carlos Oliveira adiantou que mais de duas mil pessoas aguardam tratamento por via cirúrgica e outros milhares esperam uma primeira consulta no Serviço Nacional de Saúde, alguns há mais de dois anos. "Todos os anos morrem em média 1500 pessoas, mortes relacionadas com a obesidade e que poderiam ser evitadas", disse.
O mais recente estudo realizado em Portugal sobre a incidência da obesidade, coordenado pela médica Isabel do Carmo, revelou que mais de metade da população tem excesso de peso e que 14,2 por cento destes casos são casos de obesidade.
A obesidade, que a Organização Mundial de Saúde considera "a epidemia do século XXI", é uma doença crónica e constitui um dos mais graves problemas de saúde pública que Portugal enfrenta.
É partindo do princípio de que se trata de um problema nacional que Carlos Oliveira considera urgente a entrada em funcionamento do plano que reduza as listas de espera. Em Portugal tem assumido especial importância o excesso de peso nas crianças e jovens.
A prevalência da pré-obesidade e obesidade em idade pré-escolar, escolar e adolescente é de 31 por cento, com 10 por cento de casos de obesidade. A patologia está relacionada com um maior risco de doenças e de mortalidade precoce. Nas doenças associadas destacam-se a diabetes tipo 2 e as doenças cardiovasculares.
Cerca de cinco milhões de portugueses têm excesso de peso e mais de nove mil pessoas já morreram desde 2004 com problemas relacionados com a obesidade, assegura a Associação de Doentes Obesos e Ex-obesos de Portugal (ADEXO).
O Dia Nacional de Luta Contra a Obesidade assinala-se hoje, mas para a ADEXO o momento não é para comemorações. "Estamos de luto pelas cerca de nove mil pessoas com obesidade que desde 2004 morreram e continuam a morrer nas listas de espera para consulta e nas listas de espera para cirurgia de tratamento da obesidade", disse Carlos Oliveira, presidente da ADEXO.
Carlos Oliveira adiantou que mais de duas mil pessoas aguardam tratamento por via cirúrgica e outros milhares esperam uma primeira consulta no Serviço Nacional de Saúde, alguns há mais de dois anos. "Todos os anos morrem em média 1500 pessoas, mortes relacionadas com a obesidade e que poderiam ser evitadas", disse.
O mais recente estudo realizado em Portugal sobre a incidência da obesidade, coordenado pela médica Isabel do Carmo, revelou que mais de metade da população tem excesso de peso e que 14,2 por cento destes casos são casos de obesidade.
A obesidade, que a Organização Mundial de Saúde considera "a epidemia do século XXI", é uma doença crónica e constitui um dos mais graves problemas de saúde pública que Portugal enfrenta.
É partindo do princípio de que se trata de um problema nacional que Carlos Oliveira considera urgente a entrada em funcionamento do plano que reduza as listas de espera. Em Portugal tem assumido especial importância o excesso de peso nas crianças e jovens.
A prevalência da pré-obesidade e obesidade em idade pré-escolar, escolar e adolescente é de 31 por cento, com 10 por cento de casos de obesidade. A patologia está relacionada com um maior risco de doenças e de mortalidade precoce. Nas doenças associadas destacam-se a diabetes tipo 2 e as doenças cardiovasculares.
Crise: médicos propõem às famílias menus saudáveis e baratos para evitar má alimentação
12.04.2009 - 12h56 Lusa
As unidades de saúde vão propôr às famílias menus saudáveis e baratos para prevenir a má alimentação das crianças devido à crise e as autoridades ponderam mesmo alargar o horário das cantinas escolares, revelou o director-geral da Saúde.
Em entrevista à agência Lusa, Francisco George avançou que estão previstas "medidas de contingência" para responder aos efeitos da crise económica na saúde dos portugueses.
As preocupações das autoridades de saúde referem-se sobretudo a três níveis: alimentação das famílias, em particular das crianças, saúde mental (ansiedade, stress, depressão e doenças do foro psiquiátrico) e acesso igualitário aos serviços de saúde.
O "primeiro eixo de alerta" diz respeito às questões ligadas à alimentação, disse Francisco George. "É preciso assegurar que os portugueses comam bem, de forma equilibrada e com menos custos", acrescentou.
Nesse sentido, a Direcção-Geral de Saúde (DGS) solicitou à Plataforma contra a Obesidade, que reúne especialistas em nutrição, que preparasse "um conjunto de menus saudáveis, equilibrados e de baixo custo que pudessem ser utilizados pelas famílias com mais dificuldades".
Francisco George revelou que os menus vão estar disponíveis em todas as unidades de saúde pública, nos serviços de aconselhamento nesta área e através de todos os médicos, principalmente os de família, que vão poder aconselhar os utentes sobre medidas simples que assegurem uma alimentação adequada.
Para prevenir situações de má alimentação nas crianças, sobretudo as que estão em idade escolar, a DGS já contactou o Ministério da Educação para, no caso de ser necessário, as cantinas das escolas estarem abertas mais tempo, incluindo nas férias, "servindo refeições de uma forma equilibrada".
Questionado sobre a existência de crianças com fome devido à crise, Francisco George admitiu que já surgiram casos pontuais, mas "ainda não constituem um problema de dimensão preocupante".
O director-geral da Saúde adiantou ainda que a crise financeira levou à criação de unidades de alerta em 68 localidades do país, que já estão operacionais. "Este dispositivo vai acautelar e permitir que sejam tomadas medidas a tempo, a fim dos programas de saúde não serem prejudicados", sublinhou Francisco George.
As unidades de saúde vão propôr às famílias menus saudáveis e baratos para prevenir a má alimentação das crianças devido à crise e as autoridades ponderam mesmo alargar o horário das cantinas escolares, revelou o director-geral da Saúde.
Em entrevista à agência Lusa, Francisco George avançou que estão previstas "medidas de contingência" para responder aos efeitos da crise económica na saúde dos portugueses.
As preocupações das autoridades de saúde referem-se sobretudo a três níveis: alimentação das famílias, em particular das crianças, saúde mental (ansiedade, stress, depressão e doenças do foro psiquiátrico) e acesso igualitário aos serviços de saúde.
O "primeiro eixo de alerta" diz respeito às questões ligadas à alimentação, disse Francisco George. "É preciso assegurar que os portugueses comam bem, de forma equilibrada e com menos custos", acrescentou.
Nesse sentido, a Direcção-Geral de Saúde (DGS) solicitou à Plataforma contra a Obesidade, que reúne especialistas em nutrição, que preparasse "um conjunto de menus saudáveis, equilibrados e de baixo custo que pudessem ser utilizados pelas famílias com mais dificuldades".
Francisco George revelou que os menus vão estar disponíveis em todas as unidades de saúde pública, nos serviços de aconselhamento nesta área e através de todos os médicos, principalmente os de família, que vão poder aconselhar os utentes sobre medidas simples que assegurem uma alimentação adequada.
Para prevenir situações de má alimentação nas crianças, sobretudo as que estão em idade escolar, a DGS já contactou o Ministério da Educação para, no caso de ser necessário, as cantinas das escolas estarem abertas mais tempo, incluindo nas férias, "servindo refeições de uma forma equilibrada".
Questionado sobre a existência de crianças com fome devido à crise, Francisco George admitiu que já surgiram casos pontuais, mas "ainda não constituem um problema de dimensão preocupante".
O director-geral da Saúde adiantou ainda que a crise financeira levou à criação de unidades de alerta em 68 localidades do país, que já estão operacionais. "Este dispositivo vai acautelar e permitir que sejam tomadas medidas a tempo, a fim dos programas de saúde não serem prejudicados", sublinhou Francisco George.
O verdadeiro Indiana Jones e as duas rainhas do Egipto antigo
LUÍS NAVES 28 Julho 2007 in dngente
O Egipto antigo já foi uma das paixões dos europeus, numa altura em que aventureiros desenterravam incríveis esplendores das areias do deserto. Mas as descobertas foram escasseando e tornou-se arriscado comprar relíquias pilhadas dos túmulos. Após a descoberta do tesouro de Tutankhamon, em 1922, houve um renovar da imaginação do mundo culto, mas progressivamente a egiptologia regressou aos círculos académicos e às penosas escavações. Até aparecer este homem, Zahi Hawass, com o seu perfil a lembrar o do actor Anthony Quinn e o chapéu à Indiana Jones.
Hawass, de 59 anos, é um dos mais prestigiados egiptólogos do mundo. Mas à frente do Conselho Supremo das Antiguidades do Egipto (CSAE), adquiriu também poder e notoriedade, o que o tornou polémico. Este egípcio, de inconfundível sotaque no inglês fluente, sabe explicar com entusiasmo, ao comum dos mortais, a vertente complexa da extinta civilização egípcia, tão obcecada em preparar os seus mortos para a vida eterna.
A mais recente campanha mediática de Hawass e do organismo que controla tem a ver com a identificação recente da múmia de uma das figuras míticas da história do Egipto antigo, a rainha Hatshepsut. A identificação recorreu a meios sofisticados e teve uma cobertura televisiva especial. O carismático cientista participa também na busca da múmia de outra rainha, Nefertiti, que seria uma descoberta fenomenal da egiptologia moderna, permitindo resolver alguns mistérios.
Hatshepsut é a confirmação mais recente e envolve uma desilusão: a poderosa rainha era obesa e tinha os dentes estragados, aspectos que não apareciam nas estátuas, afinal representações políticas do poder. A confirmação da identificação da múmia, feita por uma equipa egípcia liderada pelo próprio Hawass, obteve-se através de técnicas sofisticas: tomografia axial computorizada e investigação do ADN. Numa caixa funerária com o nome da rainha foi encontrado o resto de um maxilar (talvez resultante de erro na mumificação) que encaixava na múmia não identificada, (encontrada noutro local e que a equipa supôs pertencer à rainha). O palpite começou a revelar-se certo quando foi feita uma comparação entre o material genético da múmia e de uma avó da monarca, Ahmose-Nefertari, que a colocou na XVIIIª dinastia.
A poderosa rainha, na realidade a primeira mulher que se sabe ter exercido grande poder, teria pouco mais de 50 anos quando morreu.
O novo êxito de Hawass e a forma como foi divulgado, numa operação mediática, junta-se a outra busca, a da mítica Nefertiti. Os documentários sobre estas investigações permitiram financiar equipamentos que abrem caminho a novas descobertas no acervo de múmias por identificar do CSAE. Esta última é uma organização com 30 mil funcionários e vasto poder sobre as relíquias.
Esse é o outro aspecto de Hawass: onde acaba a ciência e começa a política? Os críticos dizem que ele controla em excesso as escavações e que tem o poder de afastar investigadores. "Não gosto de falar de mim", confessa. "Estudei na América e é por isso que compreendo os americanos. Uso os americanos para ajudar o Egipto, não o contrário", acrescenta, quando lhe perguntam sobre o uso que faz dos media ocidentais. |
O Egipto antigo já foi uma das paixões dos europeus, numa altura em que aventureiros desenterravam incríveis esplendores das areias do deserto. Mas as descobertas foram escasseando e tornou-se arriscado comprar relíquias pilhadas dos túmulos. Após a descoberta do tesouro de Tutankhamon, em 1922, houve um renovar da imaginação do mundo culto, mas progressivamente a egiptologia regressou aos círculos académicos e às penosas escavações. Até aparecer este homem, Zahi Hawass, com o seu perfil a lembrar o do actor Anthony Quinn e o chapéu à Indiana Jones.
Hawass, de 59 anos, é um dos mais prestigiados egiptólogos do mundo. Mas à frente do Conselho Supremo das Antiguidades do Egipto (CSAE), adquiriu também poder e notoriedade, o que o tornou polémico. Este egípcio, de inconfundível sotaque no inglês fluente, sabe explicar com entusiasmo, ao comum dos mortais, a vertente complexa da extinta civilização egípcia, tão obcecada em preparar os seus mortos para a vida eterna.
A mais recente campanha mediática de Hawass e do organismo que controla tem a ver com a identificação recente da múmia de uma das figuras míticas da história do Egipto antigo, a rainha Hatshepsut. A identificação recorreu a meios sofisticados e teve uma cobertura televisiva especial. O carismático cientista participa também na busca da múmia de outra rainha, Nefertiti, que seria uma descoberta fenomenal da egiptologia moderna, permitindo resolver alguns mistérios.
Hatshepsut é a confirmação mais recente e envolve uma desilusão: a poderosa rainha era obesa e tinha os dentes estragados, aspectos que não apareciam nas estátuas, afinal representações políticas do poder. A confirmação da identificação da múmia, feita por uma equipa egípcia liderada pelo próprio Hawass, obteve-se através de técnicas sofisticas: tomografia axial computorizada e investigação do ADN. Numa caixa funerária com o nome da rainha foi encontrado o resto de um maxilar (talvez resultante de erro na mumificação) que encaixava na múmia não identificada, (encontrada noutro local e que a equipa supôs pertencer à rainha). O palpite começou a revelar-se certo quando foi feita uma comparação entre o material genético da múmia e de uma avó da monarca, Ahmose-Nefertari, que a colocou na XVIIIª dinastia.
A poderosa rainha, na realidade a primeira mulher que se sabe ter exercido grande poder, teria pouco mais de 50 anos quando morreu.
O novo êxito de Hawass e a forma como foi divulgado, numa operação mediática, junta-se a outra busca, a da mítica Nefertiti. Os documentários sobre estas investigações permitiram financiar equipamentos que abrem caminho a novas descobertas no acervo de múmias por identificar do CSAE. Esta última é uma organização com 30 mil funcionários e vasto poder sobre as relíquias.
Esse é o outro aspecto de Hawass: onde acaba a ciência e começa a política? Os críticos dizem que ele controla em excesso as escavações e que tem o poder de afastar investigadores. "Não gosto de falar de mim", confessa. "Estudei na América e é por isso que compreendo os americanos. Uso os americanos para ajudar o Egipto, não o contrário", acrescenta, quando lhe perguntam sobre o uso que faz dos media ocidentais. |
Obsessão da vida saudável numa sociedade de obesos
Patrícia Jesus 16 Outubro 2006 in DN
Globalmente, existem mil milhões de pessoas com excesso de peso, e destas, pelo menos 300 milhões são obesas. A Organização Mundial de Saúde (OMS), tradicionalmente preocupada com as consequências da subnutrição, começou nos últimos anos a focar a sua atenção na obesidade e nas chamadas "doenças de civilização" - diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, hipertensão e certos tipos de cancro. Um cenário que coloca a indústria alimentar sob fogo cerrado e a obriga a mudar estratégias. Menos calorias, menos gordura, menos açúcar, e mais informação ao consumidor, são as palavras de ordem.
Definida pela OMS como a epidemia do século XXI, a obesidade já não é apenas um problema do mundo ocidental: em muitos países, coexiste com a escassez e com a subnutrição, que ainda afecta quase 864 milhões de pessoas. Ou seja, há hoje mais pessoas com excesso de peso do que vítimas de subnutrição.
Em alguns países, como a França, discute-se a possibilidade de certos alimentos terem avisos sobre o seu efeito na saúde, tal como o tabaco ou as bebidas alcoólicas. Em Portugal, metade das pessoas tem excesso de peso, 13% dos adultos são obesos, 10% das crianças também.
A Federação das Indústrias Agro-Alimentares (FIPA), representante do sector, está "empenhada em assumir parte da responsabilidade na luta contra a obesidade", afirma a directora, Isabel Sarmento. Hoje, tem início uma campanha de divulgação das boas práticas que considera já existirem nas empresas do sector. Aliás, a organização faz parte do Programa Nacional do Combate à Obesidade. Há também o reconhecimento de que as preocupações dos consumidores mudaram nos últimos anos e que a indústria também tem de mudar. E é neste contexto que surge a diversificação da oferta, a melhor informação aos consumidores e a preocupação com um marketing consciente.
Novas tendências
"A indústria alimentar está num processo de transição para uma oferta saudável, mas a maior parte da oferta ainda não é saudável", afirma o gestor e criador de marcas Carlos Coelho. "No entanto há com certeza a genuína intenção de caminhar nesse sentido", diz o especialista, que considera que a aposta numa imagem saudável é uma das actuais tendências do mercado, com propensão a tornar-se ainda mais importante. "As gerações mais jovens estão mais pressionadas pela estética, pelo culto do corpo", explica. E como "são os jovens que marcam as tendências", têm um peso enorme e nenhuma marca pode ignorar isso. Por outro lado, salienta Carlos Coelho, a comida não alimenta apenas o corpo mas também a nossa identidade. E os jovens procuram um estilo de vida saudável. Logo, é importante para a indústria apresentar produtos que alimentem essa imagem.
Ao mesmo tempo, o especialista também acredita que "os jovens preocupam-se mais com as letras pequeninas, e estão mais habilitados a rejeitar as falsas ofertas", o que obriga as empresas a inovarem realmente. Neste momento a inovação e a procura de produtos mais saudáveis andam de mãos dadas. A tendência vai da produção à promoção e até os departamentos de marketing passaram a ter nutricionistas. As empresas procuram o adoçante mais saudável, ou adicionar cada vez mais funções aos produtos.
Já a nutricionista Ada Rocha, professora na Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação, no Porto, acha que a "indústria alimentar não parece muito preocupada com a saúde do consumidor", mas que apenas responde à pressão do mercado.
Contradições e respostas
É difícil compreender porque é que numa sociedade em que parece haver uma preocupação cada vez maior com a alimentação e com a saúde, os números da obesidade não param de crescer.
Ada Rocha explica que houve um mudança no estilo de vida das pessoas, que "se mexem menos, não sobem umas escadas a pé ; têm as casas aquecidas. Tudo isto leva o organismo a gastar menos energia. Depois consomem produtos mais calóricos".
Também há noções erradas sobre o que é saudável. E a publicidade não ajuda, avisa a nutricionista. "As pessoas muitas vezes são levadas a pensar que beber um sumo à refeição é a mesma coisa que comer uma peça de fruta no fim. Não é!". "Obviamente não interessa à indústria promover produtos naturais mas sim processados. Não há anúncios à fruta", conclui.
Por outro lado, o consumidor procura alimentos saudáveis mas geralmente não está disposto a mudar os sabores a que está habituado, explica a nutricionista. Quando há uns anos se começou a falar sobre o excesso de sal no pão e alguns padeiros optaram por usar menos, as pessoas passaram a comprar noutros sítios, conta a professora. "Enquanto os pacotes de açúcar passaram de 10/12 gramas para 6/8 e ninguém se queixou, porque foi uma coisa gradual".
A solução passa por fazer mudanças graduais, num "compromisso que tem de ser assumido por toda a indústria" para resultar, afirma Ada Rocha, que salienta o papel que a FIPA tem e pode ter neste processo.
Todos concordam que a mudança passa também por informar o consumidor, que deve ser responsabilizado pelas suas escolhas.
Globalmente, existem mil milhões de pessoas com excesso de peso, e destas, pelo menos 300 milhões são obesas. A Organização Mundial de Saúde (OMS), tradicionalmente preocupada com as consequências da subnutrição, começou nos últimos anos a focar a sua atenção na obesidade e nas chamadas "doenças de civilização" - diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, hipertensão e certos tipos de cancro. Um cenário que coloca a indústria alimentar sob fogo cerrado e a obriga a mudar estratégias. Menos calorias, menos gordura, menos açúcar, e mais informação ao consumidor, são as palavras de ordem.
Definida pela OMS como a epidemia do século XXI, a obesidade já não é apenas um problema do mundo ocidental: em muitos países, coexiste com a escassez e com a subnutrição, que ainda afecta quase 864 milhões de pessoas. Ou seja, há hoje mais pessoas com excesso de peso do que vítimas de subnutrição.
Em alguns países, como a França, discute-se a possibilidade de certos alimentos terem avisos sobre o seu efeito na saúde, tal como o tabaco ou as bebidas alcoólicas. Em Portugal, metade das pessoas tem excesso de peso, 13% dos adultos são obesos, 10% das crianças também.
A Federação das Indústrias Agro-Alimentares (FIPA), representante do sector, está "empenhada em assumir parte da responsabilidade na luta contra a obesidade", afirma a directora, Isabel Sarmento. Hoje, tem início uma campanha de divulgação das boas práticas que considera já existirem nas empresas do sector. Aliás, a organização faz parte do Programa Nacional do Combate à Obesidade. Há também o reconhecimento de que as preocupações dos consumidores mudaram nos últimos anos e que a indústria também tem de mudar. E é neste contexto que surge a diversificação da oferta, a melhor informação aos consumidores e a preocupação com um marketing consciente.
Novas tendências
"A indústria alimentar está num processo de transição para uma oferta saudável, mas a maior parte da oferta ainda não é saudável", afirma o gestor e criador de marcas Carlos Coelho. "No entanto há com certeza a genuína intenção de caminhar nesse sentido", diz o especialista, que considera que a aposta numa imagem saudável é uma das actuais tendências do mercado, com propensão a tornar-se ainda mais importante. "As gerações mais jovens estão mais pressionadas pela estética, pelo culto do corpo", explica. E como "são os jovens que marcam as tendências", têm um peso enorme e nenhuma marca pode ignorar isso. Por outro lado, salienta Carlos Coelho, a comida não alimenta apenas o corpo mas também a nossa identidade. E os jovens procuram um estilo de vida saudável. Logo, é importante para a indústria apresentar produtos que alimentem essa imagem.
Ao mesmo tempo, o especialista também acredita que "os jovens preocupam-se mais com as letras pequeninas, e estão mais habilitados a rejeitar as falsas ofertas", o que obriga as empresas a inovarem realmente. Neste momento a inovação e a procura de produtos mais saudáveis andam de mãos dadas. A tendência vai da produção à promoção e até os departamentos de marketing passaram a ter nutricionistas. As empresas procuram o adoçante mais saudável, ou adicionar cada vez mais funções aos produtos.
Já a nutricionista Ada Rocha, professora na Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação, no Porto, acha que a "indústria alimentar não parece muito preocupada com a saúde do consumidor", mas que apenas responde à pressão do mercado.
Contradições e respostas
É difícil compreender porque é que numa sociedade em que parece haver uma preocupação cada vez maior com a alimentação e com a saúde, os números da obesidade não param de crescer.
Ada Rocha explica que houve um mudança no estilo de vida das pessoas, que "se mexem menos, não sobem umas escadas a pé ; têm as casas aquecidas. Tudo isto leva o organismo a gastar menos energia. Depois consomem produtos mais calóricos".
Também há noções erradas sobre o que é saudável. E a publicidade não ajuda, avisa a nutricionista. "As pessoas muitas vezes são levadas a pensar que beber um sumo à refeição é a mesma coisa que comer uma peça de fruta no fim. Não é!". "Obviamente não interessa à indústria promover produtos naturais mas sim processados. Não há anúncios à fruta", conclui.
Por outro lado, o consumidor procura alimentos saudáveis mas geralmente não está disposto a mudar os sabores a que está habituado, explica a nutricionista. Quando há uns anos se começou a falar sobre o excesso de sal no pão e alguns padeiros optaram por usar menos, as pessoas passaram a comprar noutros sítios, conta a professora. "Enquanto os pacotes de açúcar passaram de 10/12 gramas para 6/8 e ninguém se queixou, porque foi uma coisa gradual".
A solução passa por fazer mudanças graduais, num "compromisso que tem de ser assumido por toda a indústria" para resultar, afirma Ada Rocha, que salienta o papel que a FIPA tem e pode ter neste processo.
Todos concordam que a mudança passa também por informar o consumidor, que deve ser responsabilizado pelas suas escolhas.
A moda para 'gordinhas'
por CATARINA VASQUES RITO 28 Fevereiro 2009 in DN
Outono/Inverno 2009/10 vai destacar os tons terra, azuis e outras cores mais esbatidas para fazer realçar as formas das mulheres 'mais cheiinhas'. Foi a pensar neste público que Elena Mirò apresentou em Milão a nova colecção
A moda não é só para pessoas magras e de formas curvilíneas. É também para quem tem corpos mais robustos e estatura baixa, como as mulheres latinas. A pensar nisso, a marca italiana Elena Mirò, que pertence ao Grupo Miroglio, tem tentado ao longo dos últimos anos apresentar alternativas interessantes e apelativas.
"Quando apresentamos as nossas colecções, as propostas que desfilam na passerelle são apenas alguns dos modelos que temos num vasto universo de peças", afirmou ao DN Elena Miroglio, directora de marketing do grupo que detém a marca.
Quando se tem um corpo com medidas mais largas aliado à pouca estatura, é preciso ter em consideração o tipo de roupa que se veste. "Uma mulher baixa e larga não deve usar saias compridas e botins, ou botas altas, porque este género de roupa vai fazê-la mais baixa e a perna mais curta", explicou a directora do grupo.
Blusas pela cintura, decotes em bico - ter em atenção o tipo de busto -, vestidos traçados com alguns franzidos são algumas das propostas que se ajustam melhor e ajudam a disfarçar as gordurinhas a mais. As cores também têm truques: tons muito fortes como rosa choque, verde eléctrico, ou dourados devem ser evitados. O preto é um clássico que adelgaça e disfarça, no entanto, os tons terra, os azuis e algumas cores mais esbatidas não só ajudam a disfarçar a silhueta, como dão uma tonalidade à toilette.
Outra questão fundamental são os tecidos. O elastano e o poliester realçam as imperfeições do corpo, por isso, deve ser evitado o uso de calças nestes materiais. Se se tem um colo bonito, este deve ser "explorado". Blusas, camisas que deixem ver esta zona do corpo. Casacos ligeiramente cintados. Mangas dos casacos ajustadas à medida do braço. Pequenos truques que trabalham a favor do corpo mais roliço e não contra ele.
Os manequins Elena Mirò têm medidas especiais - altas e mais fortes que as profissionais a que o público está habituado a ver desfilar -, no entanto, o curioso é ver que estas modelos têm o perfil corporal da mulher nórdica (fisicamente maciças). |
A nova colecção Outono/Inverno '09 '10 da Elena Mirò foi apresentada esta semana, em Milão. A marca aposta no branco, cinza, azul e preto. Vestidos e saias pelo joelho, alguma fantasia e casacos com mangas de três quartos. Chapéus de inspiração russa, maquilhagem simples com um toque de cor nos lábios. A simplicidade é o segredo de uma mulher elegante.
Outono/Inverno 2009/10 vai destacar os tons terra, azuis e outras cores mais esbatidas para fazer realçar as formas das mulheres 'mais cheiinhas'. Foi a pensar neste público que Elena Mirò apresentou em Milão a nova colecção
A moda não é só para pessoas magras e de formas curvilíneas. É também para quem tem corpos mais robustos e estatura baixa, como as mulheres latinas. A pensar nisso, a marca italiana Elena Mirò, que pertence ao Grupo Miroglio, tem tentado ao longo dos últimos anos apresentar alternativas interessantes e apelativas.
"Quando apresentamos as nossas colecções, as propostas que desfilam na passerelle são apenas alguns dos modelos que temos num vasto universo de peças", afirmou ao DN Elena Miroglio, directora de marketing do grupo que detém a marca.
Quando se tem um corpo com medidas mais largas aliado à pouca estatura, é preciso ter em consideração o tipo de roupa que se veste. "Uma mulher baixa e larga não deve usar saias compridas e botins, ou botas altas, porque este género de roupa vai fazê-la mais baixa e a perna mais curta", explicou a directora do grupo.
Blusas pela cintura, decotes em bico - ter em atenção o tipo de busto -, vestidos traçados com alguns franzidos são algumas das propostas que se ajustam melhor e ajudam a disfarçar as gordurinhas a mais. As cores também têm truques: tons muito fortes como rosa choque, verde eléctrico, ou dourados devem ser evitados. O preto é um clássico que adelgaça e disfarça, no entanto, os tons terra, os azuis e algumas cores mais esbatidas não só ajudam a disfarçar a silhueta, como dão uma tonalidade à toilette.
Outra questão fundamental são os tecidos. O elastano e o poliester realçam as imperfeições do corpo, por isso, deve ser evitado o uso de calças nestes materiais. Se se tem um colo bonito, este deve ser "explorado". Blusas, camisas que deixem ver esta zona do corpo. Casacos ligeiramente cintados. Mangas dos casacos ajustadas à medida do braço. Pequenos truques que trabalham a favor do corpo mais roliço e não contra ele.
Os manequins Elena Mirò têm medidas especiais - altas e mais fortes que as profissionais a que o público está habituado a ver desfilar -, no entanto, o curioso é ver que estas modelos têm o perfil corporal da mulher nórdica (fisicamente maciças). |
A nova colecção Outono/Inverno '09 '10 da Elena Mirò foi apresentada esta semana, em Milão. A marca aposta no branco, cinza, azul e preto. Vestidos e saias pelo joelho, alguma fantasia e casacos com mangas de três quartos. Chapéus de inspiração russa, maquilhagem simples com um toque de cor nos lábios. A simplicidade é o segredo de uma mulher elegante.
Nobre investe meio milhão em "produtos amigos"
por DIANA MENDES in DN 18 Julho 2005
A Nobre apostou meio milhão de euros numa nova gama de produtos com menos sal e gordura, procurando responder ao que vai na mente (e estômago) de quem consome. O objectivo da empresa é "atingir os 10% da quota de mercado em seis meses" com a gama Naturíssimos, disse ao DN João Cunha, director de marketing da empresa de charcutaria.
Este novo caminho vem demonstrar que o trunfo de quem joga no sector alimentar parece ser cada vez mais o bem-estar e menos a redução de calorias. "Estamos numa fase madura e é também uma responsabilidade nossa, enquanto líderes de mercado, responder às solicitações do consumidor", mais sensibilizado para diversos problemas de saúde. Esta gama composta por seis produtos - fiambre tradicional, fiambre da perna, peito de frango e de peru, lombo de porco e presunto - está a ser desenvolvida há um ano pela empresa e já teve grande aceitação.
A "criação de novos produtos todos os anos" é, por isso, um dos objectivos estratégicos da Nobre, acrescentou João Cunha. O presidente da empresa, Paulo Soares, adiantou que vai continuar a "acompanhar as tendências do consumo e consolidar a liderança" nas áreas do fiambre (40%), salsichas (50%) e presunto (14%). Este crescimento da marca traduziu-se numa facturação de 70 milhões de euros em 2004 e o "objectivo é aumentá-la em 5% este ano".
Lá fora, a marca Nobre está em de 30 países, mas o mercado externo representa apenas 5%. "Não temos o objectivo de nos dedicarmos mais à exportação para já, refere Paulo Soares, "interessa-nos explorar o mercado português e crescer de forma sustentada".
história. Quando a Nobre nasceu em Rio Maior em 1918, o seu fundador, Marcolino Pereira Nobre, aspirava construir um matadouro para a família, o que viria a acontecer em 1950. Hoje, o pequeno talho incorpora a filosofia de uma multinacional americana - a Sara Lee Corporation - e a inovação é um dos pilares fundamentais.
Recorrendo a processos modernos e a tecnologia avançada, a família Nobre daria início à expansão comercial e industrial. Mas a conquista do mercado português só teve início em 1970, ano em que é criada a marca Nobre tal como a conhecemos.
Se a entrada na Bolsa de Lisboa não norteou o trabalho do fundador da Nobre, esta viria a concretizar-se em 1987, ante a globalização da economia mundial. "Em 1988, a empresa foi vendida à divisão alimentar da multinacional BP, deixando de estar nas mãos da família Nobre", contou ao DN Paulo Soares, o actual director da empresa. Mas só em 1993 a empresa de Rio Maior viria a integrar o grupo Sara Lee, onde se mantém.
A gestão continua hoje a manter-se em mãos nacionais, bem como as matérias-primas, o que poderá constituir um dos motivos para que dois milhões de fatias de fiambre Nobre circulem pelas mesas portuguesas todos os dias.
A Nobre apostou meio milhão de euros numa nova gama de produtos com menos sal e gordura, procurando responder ao que vai na mente (e estômago) de quem consome. O objectivo da empresa é "atingir os 10% da quota de mercado em seis meses" com a gama Naturíssimos, disse ao DN João Cunha, director de marketing da empresa de charcutaria.
Este novo caminho vem demonstrar que o trunfo de quem joga no sector alimentar parece ser cada vez mais o bem-estar e menos a redução de calorias. "Estamos numa fase madura e é também uma responsabilidade nossa, enquanto líderes de mercado, responder às solicitações do consumidor", mais sensibilizado para diversos problemas de saúde. Esta gama composta por seis produtos - fiambre tradicional, fiambre da perna, peito de frango e de peru, lombo de porco e presunto - está a ser desenvolvida há um ano pela empresa e já teve grande aceitação.
A "criação de novos produtos todos os anos" é, por isso, um dos objectivos estratégicos da Nobre, acrescentou João Cunha. O presidente da empresa, Paulo Soares, adiantou que vai continuar a "acompanhar as tendências do consumo e consolidar a liderança" nas áreas do fiambre (40%), salsichas (50%) e presunto (14%). Este crescimento da marca traduziu-se numa facturação de 70 milhões de euros em 2004 e o "objectivo é aumentá-la em 5% este ano".
Lá fora, a marca Nobre está em de 30 países, mas o mercado externo representa apenas 5%. "Não temos o objectivo de nos dedicarmos mais à exportação para já, refere Paulo Soares, "interessa-nos explorar o mercado português e crescer de forma sustentada".
história. Quando a Nobre nasceu em Rio Maior em 1918, o seu fundador, Marcolino Pereira Nobre, aspirava construir um matadouro para a família, o que viria a acontecer em 1950. Hoje, o pequeno talho incorpora a filosofia de uma multinacional americana - a Sara Lee Corporation - e a inovação é um dos pilares fundamentais.
Recorrendo a processos modernos e a tecnologia avançada, a família Nobre daria início à expansão comercial e industrial. Mas a conquista do mercado português só teve início em 1970, ano em que é criada a marca Nobre tal como a conhecemos.
Se a entrada na Bolsa de Lisboa não norteou o trabalho do fundador da Nobre, esta viria a concretizar-se em 1987, ante a globalização da economia mundial. "Em 1988, a empresa foi vendida à divisão alimentar da multinacional BP, deixando de estar nas mãos da família Nobre", contou ao DN Paulo Soares, o actual director da empresa. Mas só em 1993 a empresa de Rio Maior viria a integrar o grupo Sara Lee, onde se mantém.
A gestão continua hoje a manter-se em mãos nacionais, bem como as matérias-primas, o que poderá constituir um dos motivos para que dois milhões de fatias de fiambre Nobre circulem pelas mesas portuguesas todos os dias.
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