Baixos e obesos também são discriminados

por MANUEL RICARDO FERREIRA Nova Iorque in DN 21 Maio 2007

A maioria dos estados americanos têm leis que proíbem a discriminação com base na raça, cor, religião, idade, género ou deficiências. São menos os que têm legislação referente a gays e lésbicas. Mas somente o Michigan e as cidades californianas de San Francisco e Santa Cruz têm legislação referente à altura e peso. O Massachusetts quer agora incluir estes dois aspectos à sua lei.

Com uma altura média de 1,76 metros para os homens e 1,62 metros para as mulheres, pode dizer-se que os americanos são altos - mas há muita gente baixa, que se sente discriminada. Autora de Abaixo da Medida, Ellen Frankel, 1,42 metros, diz que "as pessoas baixas ganham menos que as altas", acrescentando que "são menos promovidas no emprego". Jeanne Toombs, professora de piano que pesa 150 quilos e faz parte da Associação Nacional para o Avanço da Aceitação da Gordura, diz: "Passei 25 anos a tentar emagrecer. O que consegui foi ficar mais gorda e sentir-me um fracasso. Pensava que a culpa era minha, mas não é".

De facto, é muito difícil um tribunal aceitar um caso de discriminação por gordura. Os queixosos têm que provar que têm uma deficiência e, como diz David Yas, editor do Sumário dos Advogados do Massachusetts, "as pessoas podem perder peso. Segundo esse argumento, os tribunais acham que o problema não pode ser equiparado à raça ou sexo".

O congressista do Massachusetts Byron Rushing considera ser uma questão de direitos civis: "Continua a ser aceitável rirmos do aspecto físico das pessoas. Se um animador de rádio disser piadas sobre gordos ninguém pede que seja despedido".

Apesar de as estatísticas dizerem que 32% dos americanos são obesos, não existe lei que defina concretamente o que é ser gordo, ou baixo, e, como tal, é muito difícil aos queixosos convencerem os tribunais.

Além disso, há legisladores que receiam que a lei se torne numa arma contra os empresários. O congressista Todd Domkee explica: "Podem acrescentar o daltonismo, ser canhoto e até alérgico a cajus. Não há forma de limitar a legislação. Mas as boas intenções não produzem necessariamente boa legislação". |