por
DIANA MENDES
PAULO SPRANGER-ARQUIVO DN
Nove em cada dez portugueses com excesso de peso ou obesidade não estão a ser tratados ou aconselhados por profissionais de saúde, correndo risco elevado de problemas cardiovasculares. "Muitas vezes, os doentes só vão ao médico quando já têm complicações. Noutros casos, não são acompanhados devidamente pelos médicos", diz o endocrinologista Jácome de Castro.
O trabalho desenvolvido pelo Centro de Estudos e Avaliação em Saúde, em parceria com a Abbott, alerta para a ausência de tratamento adequado entre os portugueses com peso a mais, neste caso 53,6% da população entre os 18 e os 64 anos.
Cerca de 88% dos inquiridos, com índice de massa corporal (IMC) acima de 25 (acima de 30 é considerado obesidade) disseram não ter apoio profissional. Só os doentes com obesidade grave procuravam ajuda (38% contra 7,8% dos casos menos graves), sobretudo junto do médico de família. "Este era o cenário que não queríamos encontrar, mas temíamos que existisse", diz o endocrinologista do Hospital Militar de Lisboa.
O problema da obesidade ainda não é visto como uma doença, à semelhança da diabetes ou da hipertensão arterial. "É o parente pobre destas doenças, quando é o círculo do meio, o denominador comum de muitos casos destas doenças", alerta. Estudos anteriores já provaram a ligação destes problemas. Os homens obesos têm o dobro da incidência de hipertensão, e níveis de triglicéridos e colesterol três vezes superiores aos que têm peso normal. Nas mulheres, o panorama é igualmente grave. "O excesso de peso acarreta um aumento enorme do risco de diabetes, colesterol alto, hipertensão e problemas cardiovasculares como o AVC ou enfarte. Por isso, as pessoas deviam ser tratadas precocemente", avisa o médico. Uma das soluções passa por "medicar bem cedo as pessoas com peso elevado, antes de se tornarem obesas ou obesas mórbidas".
O estudo refere que apenas 5,6% dos doentes toma medicamentos para o problema, uma percentagem demasiado baixa. "Os fármacos não são comparticipados. Mesmo com a redução do preço continuam a custar 40 euros por mês. Não tenho dúvida de que poucas pessoas os tomem por influência do preço." Se Portugal seguisse o exemplo de muitos países europeus, que comparticipam esta medicação a 100%, teria outros ganhos ligados à redução de tratamentos das patologias associadas à obesidade. "Basta uma pequena redução do peso para haver um grande impacto na redução de casos de outras patologias", lembra Jácome de Castro.
O estudo feito em 79 farmácias do País e que envolveu quase mil inquiridos, concluiu que apenas um terço sabia o que era o índice de massa corporal (relação peso/altura). |